
Pesquisa brasileira publicada em revista científica internacional avança no desenvolvimento de revestimentos para dispositivos médicos
sexta-feira, 13 de março de 2026
Tecnologia baseada em nanotecnologia é desenvolvida pela DvDt Startec, startup incubada no SUPERA Parque de Inovação e Tecnologia
Um estudo brasileiro sobre o desenvolvimento de novos revestimentos funcionais para dispositivos médicos foi publicado recentemente no periódico internacional Langmuir, da American Chemical Society, uma das principais publicações científicas na área de química e ciência de materiais. A pesquisa apresenta uma tecnologia baseada em nanotecnologia voltada ao aprimoramento de superfícies de materiais utilizados em procedimentos invasivos, com potencial para reduzir o desconforto dos pacientes e melhorar a interação entre dispositivos médicos e o corpo humano.
A pesquisa é conduzida pela DvDt Startec, startup incubada no SUPERA Parque de Inovação e Tecnologia, em Ribeirão Preto (SP), que desenvolve soluções voltadas à aplicação em instrumentos como próteses, implantes e cateteres utilizados em diferentes intervenções médicas.
Em procedimentos invasivos como cirurgias cardiovasculares e implantes ortopédicos, as características da superfície dos materiais utilizados nesses dispositivos desempenham papel importante para a segurança e o desempenho das intervenções.
Propriedades como lubrificação e atrito influenciam diretamente a interação com os tecidos humanos e o conforto do paciente, o que tem impulsionado pesquisas voltadas ao desenvolvimento de novos revestimentos capazes de otimizar essas superfícies.
Esse campo de investigação ganha ainda mais relevância diante da busca por alternativas a compostos utilizados em revestimentos tradicionais, como os PFAS, atualmente em revisão por agências reguladoras internacionais.
O desenvolvimento da tecnologia tem origem em pesquisas acadêmicas iniciadas durante um trabalho de doutorado e posteriormente aprofundadas em estudos de pós-doutorado realizados na França. A partir disso, a DvDt Startec passou a desenvolver revestimentos funcionalizados voltados à aplicação em dispositivos médicos através da exploração de recursos nanotecnológicos .
Esses revestimentos são projetados para otimizar a interface entre os dispositivos e o corpo humano, por meio do controle de características físico-químicas que influenciam diretamente o comportamento dos materiais em contato com os tecidos, envolvendo desenvolvimento e caracterização das superfícies.
Segundo Julianne Laurens, CCO da DvDt Startec, os resultados demonstram a viabilidade de uma nova abordagem para o tratamento de superfícies em dispositivos médicos. “A pesquisa mostra que é possível desenvolver revestimentos com propriedades hidrofílicas e lubrificantes capazes de melhorar a interação entre os materiais e os tecidos humanos, contribuindo para reduzir o desconforto do paciente durante os procedimentos. A publicação em um periódico científico internacional também reforça a consistência da metodologia adotada e o potencial de aplicação dessa tecnologia no futuro”, afirma.
Um dos principais avanços apresentados no estudo está relacionado à validação de um novo processo de tratamento de superfície voltado à aplicação em dispositivos médicos. A abordagem permite desenvolver revestimentos com propriedades hidrofílicas e lubrificantes capazes de melhorar o desempenho dos materiais em contato com tecidos humanos.
O resultado ganha relevância no cenário internacional diante da necessidade de substituir revestimentos baseados em PFAS, compostos amplamente utilizados em diferentes aplicações industriais, mas que vêm sendo progressivamente restringidos por agências reguladoras devido a preocupações relacionadas à segurança e ao impacto ambiental.
Tecnologias como essa também evidenciam o papel das deep techs, startups criadas a partir de pesquisas científicas que exigem mais tempo para transformar descobertas em soluções aplicáveis. Para avançar, essas empresas dependem de ambientes que combinem pesquisa, infraestrutura tecnológica e articulação com a indústria.
Inserida nesse contexto, a trajetória da DvDt Startec também se relaciona com o ambiente de inovação do SUPERA Parque, onde a empresa está incubada. Segundo Julianne Laurens, CCO da startup, a presença em um parque tecnológico contribui para viabilizar projetos que nascem da pesquisa científica e buscam aplicação industrial. “No SUPERA encontramos condições importantes para o desenvolvimento da tecnologia, tanto pela infraestrutura disponível quanto pelo apoio na modelagem do negócio e na aproximação com empresas do setor de dispositivos médicos”, complementa Julianne.
Além da infraestrutura para o desenvolvimento da pesquisa, ambientes de inovação também facilitam a aproximação com empresas e instituições do setor. Essa articulação é um dos caminhos para transformar avanços científicos em soluções com potencial de aplicação na área da saúde e na indústria de dispositivos médicos.
Avanços como o apresentado no estudo mostram como a pesquisa científica pode contribuir para o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas na área médica. Nesse processo, ambientes de inovação têm papel importante ao apoiar o surgimento e o amadurecimento de startups de base científica, conectando conhecimento acadêmico, desenvolvimento tecnológico e aplicação no setor produtivo.
Sobre o SUPERA Parque
O SUPERA Parque, fruto de um convênio entre a Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto e a Universidade de São Paulo, possui ao todo 94 empresas instaladas, sendo 59 delas na SUPERA Incubadora de Empresas de Base Tecnológica e 35 empreendimentos distribuídos entre centros empresariais e loteamento. O Parque Tecnológico está em expansão com a urbanização de novos lotes para instalação de empresas e a construção do Health to Business Center, prédio fruto de parceria com a FINEP e que contará com laboratórios compartilhados, espaços corporativos e auditório. Outras informações sobre o Parque Tecnológico estão disponíveis no site: http://superaparque.com.br/.
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