
Da pesquisa ao mercado: como a ciência se transforma em soluções aplicadas
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
Entenda o percurso entre o laboratório de pesquisas, aplicação prática e o papel dos ecossistemas de inovação, como o SUPERA Parque, na maturação de tecnologias no Brasil
Você já se perguntou como as pesquisas científicas se transformam em soluções aplicadas no mercado? Entre o laboratório e a aplicação prática, existe um percurso que abrange mais do que descobertas científicas. Ao longo desse caminho, o conhecimento produzido passa por etapas de amadurecimento tecnológico, validação em contextos reais e adaptações técnicas que o aproximam das demandas concretas da sociedade.
Ao estruturar ambientes que conectam universidades, empresas e políticas de inovação, os parques tecnológicos têm desempenhado um papel relevante nesse percurso. É nesse contexto que se insere a experiência do SUPERA Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto (SP), que atua como ambiente de apoio à transformação do conhecimento científico em soluções aplicadas ao mercado.
No campo da inovação, o avanço da pesquisa em direção à aplicação prática é frequentemente analisado em função de seu nível de maturidade tecnológica. Estes níveis ajudam a indicar em que estágio a tecnologia se encontra, desde a validação inicial até condições mais próximas de uso real, orientando decisões ao longo do processo.
Para que esse avanço aconteça, a pesquisa precisa atingir níveis de maturidade que permitam sua validação fora do ambiente acadêmico. Isso significa comprovar que a tecnologia funciona de forma consistente, segura e adequada às condições em que será aplicada, respeitando critérios técnicos e operacionais.
A compreensão desse percurso revela que a transformação da pesquisa em solução aplicada depende não apenas do conhecimento científico, mas também das condições em que ele se desenvolve. Ambientes capazes de articular infraestrutura, validação prática e interação com outros atores desempenham papel relevante ao organizar esse processo e apoiar a evolução das tecnologias ao longo de seus diferentes estágios.
“Nem toda pesquisa científica nasce com vocação para se tornar uma solução aplicada, e reconhecer isso faz parte do processo”, explica o Prof. Dr. Lauro Wichert-Ana, diretor técnico do SUPERA Parque. “O avanço ocorre quando a tecnologia atinge um nível de maturidade que permite sua validação fora do ambiente acadêmico e quando o conhecimento passa a dialogar com critérios de uso, operação e escala. O ponto de virada ocorre quando a pesquisa deixa de responder apenas a perguntas científicas e passa a responder a condições reais de uso.”
A partir desse ponto de inflexão, o avanço da pesquisa em direção à aplicação prática passa a depender não apenas de decisões técnicas, mas também das condições em que esse desenvolvimento ocorre. A existência de suporte, articulação e ambientes adequados tende a influenciar a forma como esse percurso se consolida ao longo do tempo.
“Na prática, o que mais faz diferença para que uma pesquisa evolua para uma tecnologia ou solução aplicada é a existência de ecossistemas de inovação e empreendedorismo capazes de integrar suporte técnico, orientação estratégica, capacitação empreendedora, apoio jurídico e conexão com fontes de financiamento”, afirma o professor.
Segundo ele, a pesquisa científica, por si só, não garante a entrada no mercado. “Os principais obstáculos raramente são técnicos. Eles estão ligados à ausência de cultura empreendedora dos pesquisadores, à falta de compreensão sobre modelos de negócio, riscos, regulação e dinâmica de mercado, além do desalinhamento entre as métricas acadêmicas e as exigências empresariais”, explica.
Esse conjunto de fatores pode ser observado na prática em iniciativas de base científica que avançaram ao longo desse percurso. Um exemplo é a Kimera Biotecnologia, uma empresa instalada no SUPERA Parque, que, ao longo de mais de uma década, transformou pesquisas desenvolvidas em laboratório em uma operação industrial própria no setor de biotecnologia.
“A Kimera nasceu com a proposta de atuar como uma empresa de pesquisa e desenvolvimento, focada na criação de novas moléculas e na transferência dessa tecnologia para a indústria farmacêutica”, explica Mayb Andrade, sócia-fundadora da Kimera.
Segundo Mayb, essa mudança ocorreu gradualmente, a partir das experiências acumuladas ao longo dos anos: “Quando entramos no SUPERA Parque, ainda utilizávamos laboratórios da universidade e tínhamos apenas um espaço básico de trabalho. Aos poucos, passamos por programas de aceleração, estruturamos nosso laboratório de pesquisa e desenvolvimento e, mais tarde, conseguimos implantar nossa própria fábrica. Esse processo foi sendo construído ao longo do tempo, a partir dos aprendizados e dos desafios enfrentados.”

Legenda: Laboratório Kimera Biotecnologia
Experiências como a da Kimera evidenciam como a transformação da produção científica em soluções aplicadas pode gerar impactos que vão além de uma única empresa ou tecnologia. Quando as pesquisas avançam em direção ao mercado, ampliam-se as possibilidades de geração de valor econômico, fortalecimento da base tecnológica nacional e redução da dependência de soluções importadas, especialmente em setores estratégicos como saúde, biotecnologia e deep tech. Nesse cenário, o SUPERA Parque consolida-se como um ambiente capaz de viabilizar a transformação da produção científica em soluções aplicadas, ao reunir infraestrutura tecnológica, apoio à inovação e articulação com o setor produtivo. O parque abriga atualmente cerca de 90 empresas de base tecnológica, sendo 55 startups incubadas e 35 empresas no Condomínio da Inovação. Também conta com quatro startups ranqueadas no 100 Open Startups 2025, com destaque para as áreas de HealthTech e BioTech, reforçando a atuação do SUPERA Parque como capacitador de projetos orientados à aplicação prática da ciência.
Sobre o SUPERA Parque
O SUPERA Parque, fruto de um convênio entre a Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto (PMRP) e a Universidade de São Paulo (USP), possui ao todo 90 empresas instaladas, sendo 55 delas na SUPERA Incubadora de Empresas de Base Tecnológica e 35 empreendimentos no Condomínio da Inovação. O Parque Tecnológico está em expansão com a urbanização de lotes para instalação de empresas, dos quais sete já estão em processo de ocupação, além do recém-inaugurado Container Park, um novo complexo empresarial com módulos empresariais, cafeteria, sala de treinamento e a unidade UP Lab SENAI. E em construção está o quarto prédio sob a gestão do SUPERA Parque, o Health to Business Center (H2B), um centro de negócios e pesquisas na área biotecnológica, com financiamento compartilhado entre a PMRP e o FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, MCTI). Outras informações sobre o Parque estão disponíveis no site: http://superaparque.com.br/.
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